Fé e Política

Por que muita gente se assusta quando alguém com formação e prática religiosa católica atua coerentemente no ambiente político? É natural que se espere de um católico uma atuação vinculada aos princípios de sua formação de fé. Rejeitar a doutrina católica é como que uma amputação de um membro do corpo. Independentemente de qual membro seja amputado a função integrada do corpo fica prejudicada. Não quero tratar aqui de anatomia ou de compensações eventuais da perda de membros, mas sirvo-me dessa metáfora para simplificar a comunicação e, portanto, possibilitar o entendimento.

A política é parte do arranjo do corpo social. A ação humana, através da política, busca construir um ambiente onde se torne possível o melhor equilíbrio das forças dinâmicas que interagem na sociedade.

O católico na política tem o papel de, com sua formação e vigor de fé, responder às importantes demandas socioeconômicas esperadas pelas famílias, bem como, atuar no confronto de ideias que reduzem a natureza humana a mais uma espécie nada singular no planeta.

Num mundo tão contraditório e violento onde a exacerbação das preferências e dos desejos individuais se tornou para muitos a marca da felicidade e da liberdade, a política tem sido usada para afirmar o domínio de grupos ideológicos e econômicos sobre o campo dos valores universais.

A política hoje no Brasil tem se notabilizado pela busca incessante do poder e do dinheiro. Poder e dinheiro viraram metas exclusivas dos políticos em geral. Esta gente de coração insensível luta sem trégua na obtenção cotidiana de mais poder e consequentemente de mais dinheiro. Estes negam gravemente o Evangelho de Jesus!

A resposta do alinhamento entre fé e política é a renúncia à manifestação e o tratamento da política como uma exclusiva matéria de poder pessoal. A política é um dos serviços mais inestimáveis para a sociedade.

Pode parecer até um paradoxo para alguns, mas a fé alinha na terra, com a busca real do bem, as pretensões do coração humano que anseia os bens do céu.

Evidente que não se trata de uma troca racional, mas uma racionalidade no sentido da escolha do infinito em matéria revelada pelo Senhor Jesus em seus diversos ensinamentos.

Tenho profunda pena daqueles que se deixaram corromper por uma ilusão à toa. Pois a vida destes, que lutam e esperam apenas por acúmulos materiais para abarrotar seus celeiros, fizeram da vida, que é dom de Deus, um bem tão finito quanto à possibilidade plena de gozo de suas ditas riquezas.

Peço a estes tantos que enquanto há tempo reflitam e cessem o apoio ao mal tão evidente de suas ações de hoje acometem ao Brasil e principalmente ao povo mais sofrido de nossa nação.

Texto do Programa Opinião Católica do dia 06 de agosto de 2013.

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