Humanidade e este Tempo

Pelas cenas e expressões que assistimos desde uma simples conversa a um debate mais elaborado em qualquer fórum percebemos o desencontro que a humanidade vive em nossos tempos.

Humanidade mediocrizada pelo rebaixamento de sua natureza e vocação simplificadas por uma busca incessante e circunscritas ao dinheiro e à obtenção do poder. Poder este que jamais preencherá seu coração, pois o coração humano abriga questões saudáveis como pensar em sua origem, em seu destino e no próprio sentido da vida.

Tais questões se chocam frontalmente com o modelo de vida hoje proposto para nossas famílias. Até podemos questionar o que são algumas famílias hoje, apenas identificadas como agrupamento de pessoas convivendo e sobrevivendo sob o mesmo teto, mas sem qualquer identidade no amor e na doação entre seus membros.

A sociedade é reflexo do conjunto das famílias e dos valores mais preciosos destas. Se perdermos esta noção, a família deixará de ser uma escola de valores e de amor desinteressado e passará a ser, apenas, uma associação jurídica e o prolongamento de interesses materiais societários. Neste passo, caminharemos para perverter um dos maiores instrumentos educacionais e formadores da pessoa humana.

É necessário recuperar-se a simplicidade da vida e com ela a riqueza de ser pessoa. Isto é parte misteriosa de uma relação de amor eterno do homem com o seu Criador. Ter sido querido antes. Ter nascido. Ser amado pelos seus e se associar à criação num projeto de valores do qual toda a humanidade é dependente e ao mesmo tempo livre.

Neste tempo de total autonomia do homem em relação a Deus, trocou-se a pureza das relações por uma esperteza que, tida como essencial para conquistar desde o amor aos negócios, eliminou a confiança do centro das relações humanas causando aumento das rivalidades entre as pessoas e ampliando as tensões sociais. É como se para sermos felizes obrigatoriamente alguém tenha que ser infeliz.

Isto tem nos tornado um subproduto do gênero humano. Guardamos apenas um suave traço do desenho original. Nosso coração foi lancetado por este mal - a perda da identidade -, e sangra diariamente pelas guerras, torturas, suicídios, explosões, fome, miséria, cinismo e mentira.

O homem está no escuro da existência e mais uma vez está a andar, a procura de uma saída sem perceber que, nesta conjuntura, há pouca chance de superação.

Mais que uma ruptura política com esse modelo, há a necessidade de uma ruptura moral com a concepção de vida proposta.

Precisamos romper os diques que represam as águas da verdade e permitir a inundação de nossos corações com valores positivos que voltem subordinar as escolhas humanas.

Mudar de fato. Mas mudar de dentro para fora. O homem tem sido vitima de seu próprio coração.

Tanta conquista inútil é consagrada nos altares do poder, aos holofotes da imprensa para a nação, porém não se apresenta, durante o ato, o sacrifício invisível de milhares de vidas como custo adjacente destas ditas conquistas.

Nosso Estado está ilhado pela violência de toda a sorte. É uma guerra que se alastra e devasta a paz urbana, rural e das consciências sem obter a menor resposta das autoridades.

O aparelhamento partidário feito pelo governo federal degenerou a moral de instituições centenárias como a Caixa Econômica Federal em um dos acontecimentos mais covardes em que o Poder Central se envolveu recentemente.

A mudança necessária para o Estado do Rio de Janeiro e para o Brasil é a de uma nova concepção sobre a vida humana e sua promoção. Deve-se permitir que haja um desenvolvimento humano capaz de proporcionar liberdade, prestigiando a educação familiar, a instrução no ambiente escolar digno para o aluno e para os profissionais da educação e do crescimento patrimonial das famílias através do trabalho com salário justo e obtido honestamente pelo suor do rosto.

Texto do Programa Opinião Católica do dia 14 de junho de 2013.

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